quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Poder da Virada

Pode parecer que está um pouco tarde para falar de virada, já que o réveillon foi á dez dias atrás, mas para mim, a exatamente doze anos, iniciou-se a virada na minha vida. Lembro que quando estava para entrar o novo milênio, comentava-se sobre fim do mundo, bug do milênio e outras coisas que o povo gosta de exagerar, porém pra mim não havia nada de diferente em apenas mudar um dígito do calendário: saía o 1 e entrava o 2, simples assim. Pensava que isso não poderia influenciar de maneira alguma minha vida, tanto que no dia 31 de Dezembro de 1999, às vinte e três horas e mais alguma coisa, eu estava dormindo, sem vontade nenhuma de comemorar.
Naquele ano, minha vida estava um tanto sem perspectiva, não tinha muita motivação para o ano que iria começar: meu emprego não era aquilo que eu gostava de fazer; estava enfrentando algumas mudanças na minha rotina que me afastou de meus amigos e as coisas que mais gostava de fazer; e ainda não havia encontrado alguém para compartilhar minhas alegrias e decepções. O ano 2000 não prometia grandes mudanças, pensava eu, mas logo nas primeiras semanas, iniciou-se uma série de acontecimentos que mudaria radicalmente a minha vida. Começou por uma proposta de emprego, que aceitei mesmo sem saber no que daria, pois era pra trabalhar com aquilo que mais gostava: motos. Foi meu primeiro emprego com carteira assinada, oque me deu coragem para entrar num consórcio de uma moto e para minha surpresa, fui contemplado no segundo sorteio! No mês de Fevereiro, o segundo acontecimento: comecei a namorar, depois de alguns meses, juntamos as "trouxas" e fomos morar juntos. Uma loucura, em todos os sentidos. Mas foi muito bom, éramos "casalzinho novo", com uma moto zerinho, tinha recém tirado a habilitação e todo final de semana havia algo para fazer. Viajamos para várias cidades próximas, frequentamos todas as festas que ficamos sabendo, curtimos muito, como se fosse uma lua-de-mel sem fim. E logo descobrimos que a família iria aumentar muito em breve.
Morretes, agosto de 2000
A partir do momento que soubemos que teríamos um filho, aliás, filha, aí a ficha caiu. Comecei o ano só com meus pais, me sentindo um tanto só, sem grande esperança de mudança, e agora já sabia que seria pai! Minha vida nunca mais seria igual, teria minha própria família, pessoas que dependeriam de mim. A chegada do bebê estava marcada para Janeiro, talvez próximo do meu aniversário e como seria uma menina, escolhi o nome: Brenda. O ano de 2001 prometia muito mais que o anterior e não via a hora de comemorar com minha família todas as conquistas daquele ano. Mas, em Novembro, enquanto passeava com minha esposa e fazia planos para a chegada do bebê, talvez por causa daquele clima de festa e encantamento com as luzes do Natal, eis que a última surpresa do ano acontece: a Brenda resolve se adiantar e no dia 29 de Novembro de 2000, já nos conhecíamos na UTI neonatal do hospital N. Sra do Rosário. Claro que foi uma surpresa cheia de aflições e sofrimento, pois ela era muito pequena e requeria muitos cuidados, mas com muito esforço e dedicação, no Natal já estávamos todos reunidos. A partir daí, então, nunca mais duvidei do poder da mudança que se dá na virada de ano, mesmo que não tenhamos espectativas e planos, o destino pode nos reservar muito mais do que poderíamos sonhar...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Caça e Caçador


"Seo Lobo, se o senhor não sabe, tem que usar capacete,
 e a garupa também, senão o guarda multa!"
Pensando na história da Chapeuzinho Vermelho, percebemos a "injustiça" que o autor cometeu com o Lobo Mau, a começar por se referir à ele dessa forma, tachando o animal como o vilão da história, sem enxergar o seu lado. E na mesma história, o Caçador foi promovido a herói, por estragar a farra do Lobo. Se esse autor estivesse no meio da floresta, com fome, na condição do lobo, com certeza não se sentiria vilão por matar um coelho ou um cervo para comer, da mesma forma que o caçador faria. No transito acontece algo parecido, quando nos colocamos na condição de caça e de caçador ,ao mesmo tempo ou em tempos diferentes. Muitos motoristas reclamam quando são multados pelos guardas de transito, dizendo-se injustiçados, pois o guarda o persegue, não tem bom censo, inventou a multa e outras coisas que justificam seus atos. Esse mesmo motorista passa a ser pedestre quando desembarca de seu veículo, e reclama dos outros motoristas, que não dão a vez ao pedestre, fazem conversão sem usar a seta, avançam o sinal vermelho, etc. Quando volta ao veículo, continua reclamando que o pedestre não respeita nada nem ninguém, pois não pode ser multado, e não toma cuidado, atravessa fora da faixa, invade o espaço dos veículos e outros abusos. O guarda, que "persegue" os motoristas, quando tira a farda e passa a ser cidadão comum, na condição de pedestre ou conduzindo seu veículo particular, está sujeito à multa ou acidentes de transito, como qualquer um de nós. Ele passa da condição de "caçador de infratores" à "presa dos guardas e outros motoristas", mas mesmo como fiscalizador do transito, pode cometer erros, a serviço ou não; se a serviço, as consequências podem ser mais graves ainda, pois tem que dar exemplo e as punições não se limitam às que estão previstas no código de transito; podem ser maiores e ameaçar seu emprego. Ninguém gosta de perder o emprego, principalmente quando é por um erro que atinge seu prestígio, e com a popularização dos celulares com câmeras e as redes sociais, ficar famoso do dia pra noite é muito fácil. Isso é bom ou ruim? Para quem anda na linha, acho que é bom, pois ajuda a tirar de circulação os maus exemplos; por outro lado, muitos podem ser injustiçados, pois não sabemos o contexto da imagem, em que condições que o erro foi cometido. Existem motoristas infratores e motoristas que estão na condição de infratores; os primeiros procuram se dar bem sempre, não respeitando a sinalização e as regras de circulação; os outros cometem infrações por desconhecer o código de transito e por achar que não estão prejudicando ninguém. Às vezes o cidadão queixa-se de ser multado por estar numa situação de emergência, que força a infração, mas o guarda passa e multa. Talvez para o guarda, o cidadão que estacionou em local proibido pode estar apenas comprando pão, ou pode estar socorrendo alguém que passou mal, difícil saber, mas para a lei não há meio termo, é infração ou não. Bom quando dá para localizar o condutor e esclarecer o ocorrido antes de se emitir o auto, evita grandes transtornos para ambas as partes. Se o Caçador tivesse encontrado o Lobo antes de ele comer a vovó, poderia ter aconselhado ele à procurar um restaurante por quilo, poderia até dar algumas moedas ao Lobo, para que pudesse saciar sua fome de outra maneira. Mas, se o Lobo estava acostumado à uma dieta de vovozinhas e netinhas, mais cedo ou mais tarde ele seria enquadrado pela mira do Caçador.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Quem está no comando?

Em uma discussão com um amigo de um fórum automotivo, entramos no assunto sobre aviação, pois ele é piloto e eu pretendo, se Deus quiser, me tornar mecânico dessas máquinas maravilhosas. Mas, apesar da paixão em comum, temos opiniões divergentes à respeito da filosofia de gerenciamento de voo, pois ele me disse que evita ao máximo voar em Airbus, porque acha que um computador não deve estar no comando da aeronave; já eu, me sentiria mais seguro sabendo que há um "cérebro eletrônico" que não deixa o cidadão na cabine fazer besteira. Não que o computador seja melhor que o piloto, mas penso que seja menos propício ao estresse, a auto-confiança exagerada ou até mesmo ao pânico durante uma situação não prevista.
Sabemos que o fator humano é o principal motivo em acidentes aéreos e os sistemas de gerenciamento de voo, utilizados por Airbus, Boeing e Embraer (com algumas diferenças) foram criados para auxiliar o piloto na difícil missão de comandar uma aeronave, diminuindo a carga de responsabilidades e prevenindo acidentes relacionados às atitudes mal avaliadas por parte do piloto. A explicação é muito complexa e extensa, mas só para ilustrar, se o piloto provocar uma atitude para a qual a aeronave não foi projetada, o gerenciador limita a ação dos comandos aplicados e não deixa que sejam ultrapassados os limites dinâmicos do avião. É o mesmo que faz os controles eletrônicos de estabilidade (ESP/ESC) dos automóveis modernos, que agora se tornará obrigatório na Europa. Esses sistemas de segurança ativa, que procuram evitar o acidente, são pouco divulgados pelos fabricantes de automóveis no Brasil, mostrando uma tendência nacional de dar pouca importância à segurança veicular, com exceção da Mercedes-Benz, que na época de lançamento e comercialização do Classe A, seu modelo de entrada no mercado nacional, fez diversas campanhas ressaltando a atuação do ESP no auxílio da condução e prevenção de acidentes. Mas, infelizmente, o consumidor brasileiro, talvez por questão cultural, não aceitou muito bem o veículo, que "assumia o comando" quando o "piloto" fazia besteira ou se via numa situação em que não tinha experiência suficiente para dominar o veículo. Essa mania do brasileiro de achar que é um "Airton Senna" acaba criando uma cultura de suicidas no volante, coisa que não vemos na Europa, onde os motoristas não pensam que são "Schummachers" e negam os auxílios eletrônicos dos automóveis modernos.
O Mercedes Classe A na sua versão inicial não é mais vendido no Brasil, mas há vários modelos que oferecem o recurso do gerenciamento eletrônico de estabilidade, infelizmente só em categorias superiores e bem mais caras, mas a tendência é popularizar o sistema, oferecendo junto com pacotes que incluam ABS, EBD, ASR, airbag duplo e, quem sabe futuramente, o sistema que mantém distância do veículo da frente (ACC) e evita atropelamentos (já sonhando alto). Só que para isso o consumidor tem que rever seu modo de comprar carros e começar à dar prioridade para a segurança, mesmo que isso sacrifique aquele sistema de som com dvd ou aquelas rodas gigantes. Ah, só queria comentar que meu amigo piloto, que não gosta de voar de Airbus, é dono de um carro com ESP, o "incherido" que fica se metendo na forma como ele dirige.