segunda-feira, 30 de julho de 2012

Orientação X Autuação

Foto:  http://joselitobraz10.blogspot.com.br/
Imagine a seguinte cena: em uma rua que possui três faixas de circulação, em determinado trecho ocorre um estreitamento, devido a vagas de estacionamento ou outro motivo qualquer. Uma quadra antes, existem placas de sinalização e marcações que obrigam o motorista a fazer uma conversão, a fim de não criar confronto entre os veículos que seguem reto. Um motorista que transita por essa faixa, devido a falta de atenção (talvez por estar utilizando o celular...) ou por pura e simples falta de respeito com a sinalização e os outros usuários da via, resolve seguir reto, forçando passagem entre os veículos e causando transtornos e risco de acidente. Esse motorista merece ser orientado ou multado? Vamos supor que tenha um agente de trânsito no cruzamento, e que, percebendo a intenção do motorista em seguir reto, o agente se utiliza do apito e gestos para orientar o motorista a fazer a conversão obrigatória. Se o motorista acatar a ordem e realizar a manobra antes da faixa contínua, a orientação foi bem sucedida e impediu que o motorista cometesse a infração e causasse transtornos ao trânsito. Neste caso não houve infração e não há autuação. Mas, e se o motorista seguir reto mesmo assim? A orientação do agente não evitou a infração, e havendo a constatação, pede-se a emissão do Auto. O motorista foi autuado e está ciente do ocorrido. Ele pode até dizer que o agente não tem "bom senso", pois só a orientação por apito seria suficiente para torná-lo ciente da infração cometida. Mesmo que o agente não tivesse a obrigação de autuá-lo, a orientação poderia ser mal interpretada, ou o motorista poderia simplesmente não saber o motivo dos silvos e gestos emitidos pelo agente de trânsito. Imagine, agora, se ao invés do agente, houvesse um radar no cruzamento, que detectasse a manobra irregular. O radar não poderia orientá-lo antes do ocorrido, de uma forma preventiva, mas após a infração, seria emitido o auto e o motorista receberia a notificação, ficando ciente do ato infracional cometido, tendo que arcar com o ônus da multa. Não seria uma forma de "orientação", também? Quando se concede ao cidadão o direito de conduzir um veículo automotor, espera-se que ele tenha passado pelo mínimo de horas-aula em um CFC, exigidas por lei e que tenha sido aprovado nos testes teórico e prático do Detran de seu estado. Esse indivíduo, além da capacidade de conduzir o veículo, deve conhecer as regras de circulação e a sinalização de trânsito, para poder conviver pacificamente com os demais usuários da via. Ele não pode alegar desconhecimento ou incapacidade de compreender os sinais de trânsito, pois estaria confessando a inaptidão para conduzir o veículo. Nesse caso, o agente de trânsito não tem o dever de orientar, pois o condutor já deveria ter o conhecimento necessário e se cometeu a infração, é porque não observou a sinalização e as regras de circulação. A orientação se torna necessária quando temos situações não previstas, como um acidente de trânsito ou um evento (obras, passeata, etc.) que altere a circulação normal do trânsito. Aí entra o trabalho orientativo do agente de trânsito. No dia-a-dia também pode haver a orientação, como no exemplo citado ou em campanhas de prevenção de acidentes de trânsito, mas oque não pode haver é a ideia falsa de que o agente de trânsito deve fazer o papel de "instrutor de auto-escola", ensinando aos motoristas já formados regras que eles deveriam saber antes mesmo de receber a 1ª habilitação. Se ocorrem tantas infrações por "desconhecimento" dos motoristas, devemos pensar que há algo de errado com os métodos de formação e avaliação dos candidatos à habilitação. A fiscalização de trânsito apenas tenta sanar esse problema, utilizando-se, infelizmente, da maneira mais dolorosa que existe: a multa.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cuidando do passado para garantir o futuro

Mural retratando a praça 8 de Janeiro, em 1900. Podemos ver a antiga igreja, os casarões em torno da praça, araucárias e palmeiras. Hoje, oque sobrou dos casarões está oculto pelos painéis das lojas e do comércio local. foto:http://deconvivium.blogspot.com.br/ 
Andando hoje pela praça 8 de Janeiro aqui em São José dos Pinhais, fiquei pensando o quanto essa cidade mudou, totalmente diferente da imagem de 1900, retratada no painel em frente à igreja. Nossa igreja já não é mais a mesma, os casarões da r. XV de novembro estão totalmente descaracterizados e muitos nem existem mais, substituídos por sobrados e imóveis modernos. Os que permanecem em pé, tiveram suas fachadas cobertas por painéis do comércio, que não se importa em conservar a memória do município, pensando só em chamar a atenção e aumentar as vendas e os lucros. Talvez esse comportamento esteja completamente equivocado, pois cria uma imagem desagradável da paisagem e nem chama mais a atenção de quem passa pelo local. Se fossem conservadas as fachadas originais dos imóveis antigos, a imagem seria muito mais agradável, chamando a atenção não só dos moradores do município como também quem está de passagem, despertando o desejo de fotografar e de voltar futuramente. Seria um grande incentivo ao turismo, que movimentaria o comércio e ajudaria o município a crescer, como já acontece em muitas cidades do estado, como a cidade histórica da Lapa, Castro, Antonina e até mesmo Curitiba, que apesar de seu desenvolvimento, ainda conserva imóveis e lugares históricos, visitados por turistas do mundo todo. São José dos Pinhais poderia ter muitas atrações turísticas, pois tem uma história repleta de acontecimentos interessantes e muitas belezas naturais, mas que não são exploradas. Está certo que temos o caminho do vinho, atrativo turístico já consagrado em nosso município, mas não podemos ficar só nisso; temos as colônias Marcelino, Castelhanos, Murici, Accioli e muitas outras que poderiam receber incentivos para investir no turismo rural, como faz Piraquara, Campo Magro, Araucária e outras cidades da região metropolitana, que criaram rotas de turismo rural e que são sucesso, movimentando a economia local. Parece que aqui a coisa começou a "deslanchar" agora, pois antes não havia investimento algum por parte da administração pública. Com a criação da lei de incentivo à conservação do patrimônio histórico em São José dos Pinhais, temos a esperança de não ver mais prédios históricos sendo demolidos para dar lugar a imóveis modernos, ou simplesmente abrindo espaço para estacionamentos particulares. Pena que essa lei veio um tanto tarde, mas é um grande avanço e que pode mudar o modo de pensar de algumas pessoas, que gostam de dizer que "quem vive de passado é museu". Não podemos nem devemos deter o progresso, mas se não temos memória e não conhecemos nossas origens, como poderemos saber quem somos e para onde queremos ir? Moderno e antigo podem conviver harmoniosamente, embelezando ainda mais nossa cidade e trazendo pessoas para conhecer nossa história e, quem sabe, fazer parte do nosso futuro.
Projeto de revitalização do centro de vivência João Senegaglia. fonte: prefeitura de São José dos Pinhais

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Meu Amigo Charlie

"Meu filho, por que você não compra um fusquinha, é um carrinho tão bonitinho..." Confesso que me soou um pouco estranho a sugestão de minha mãe, após ter vendido meu monza, que era um carro confortável e de desempenho satisfatório. O único fusca que dirigi até então, era um fusquinha amarelo, da bandeirantes, que tive quando era criança, e sair de um monza para um fusca era uma ideia que não me agradava nem um pouco. Como era um tempo de "vacas magras" e precisava de um carro para sair com a família, mas que fosse de baixo investimento, manutenção barata e simples, e que pudesse vender logo, para comprar um melhor, o fusca me pareceu a opção mais racional, "mas só por pouco tempo", pensei.
O Charlie, quando o comprei, ainda sem saber das  "monstruosidades"
que os "mexânicos" tinham feito com ele, pobrezinho...
O Charlie-Whiskey-Echo, ou simplesmente Charlie, para os amigos,  pertencia a um ex-patrão, que me fez uma proposta tentadora, para pagar em "suaves prestações" e que parecia estar em bom estado, oque descobri depois ser um lamentável engano. Apesar de sua ótima aparência, devido à pintura e estofamentos novos, o carro tinha recebido uma "maquiada", só para passar pra frente, e pouco tempo depois estava estourando ferrugem por todas as partes. Tentei me livrar do problema, pois sabia que se fosse arrumar, teria que "comprá-lo" novamente, mas tem coisas que não adianta pensar só no bolso; tem o lado afetivo, também. Tinha vontade de restaurar um veículo antigo há muito tempo, de preferência um opala, mas o fusca se mostrou melhor opção, novamente, e decidi ficar com o Charlie, para eu mesmo trabalhar na sua revitalização. Não gosto de chamar de restauração, porque ao meu ver, isso é coisa para quem pretende um veículo 100% original, digno de placa preta, oque não é meu caso, pois quero um carro especial, com detalhes que o diferencie dos demais, e novamente o fusca é o ideal para isso, pois ele é como as Harley-Davidson, que nunca são iguais, por causa da customização que seus donos fazem nelas. Acho que é isso: um fusca customizado, com partes de diversos modelos e um toque pessoal, para dar personalidade ao Charlie. Você pode ter uma Ferrari, mas seu vizinho pode comprar uma idêntica; já um fusca, duvido que encontre outro igual...
Mês que vem o Charlie será internado, para fazer a funilaria e pintura, que consiste na parte mais complexa e demorada da reforma. Ainda não sei bem oque será feito, mas pretendo acompanhar todo o processo, fazendo exatamente aquilo que vier na cabeça. Não tenho ideia de valores nem de prazo, só sei que a paciência para ficar sem ele na garagem vai ter que ser enorme, mas essa separação momentânea se faz necessária, para que ele possa continuar por muito tempo sendo esse companheiro de aventuras e amigo fiel que mostrou ser todos esses anos.