quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Lei da Vida

Muito se comenta sobre a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, que declarou que a URBS não poderia multar em Curitiba. A decisão foi baseada no fato de a empresa ser uma economia mista, pertencendo 99,9% à Prefeitura de Curitiba e 0,1% a iniciativa privada, que no entender dos desembargadores, é o suficiente para por em dúvida a legitimidade das autuações realizadas pela Diretan e seus Agentes de Trânsito.
Mas é interessante notar que a ação, cujo início se deu em 1995, questionava o poder do município em legislar sobre trânsito, porque na época, os ciclistas eram proibidos de circular nas canaletas de ônibus e para segurança deles havia medidas repressoras a isso, e que acabou sendo respaldado pelo novo código de trânsito. A decisão de jurisprudência do TJ baseou-se em algo que não estava em discussão no momento e se mostrou imprudente, pois deveria prever um prazo para adequação da prefeitura à determinação, sem prejuízos à circulação e segurança dos usuários das vias públicas. Mesmo com o BPTran e PM nas ruas, as infrações cresceram assustadoramente, pois em uma cidade de 1,8milhão de habitantes e 1,1milhão de veículos, não há efetivo suficiente para atender as ocorrências de trânsito e ainda fiscalizar as irregularidades. Os desembargadores não previram os efeitos que a  medida suspensiva poderia causar na prática e se limitaram a discutir a inconstitucionalidade da fiscalização da URBS, como aconteceu em São Paulo, quando o prefeito Paulo Maluf criou a lei da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, em 1995, contrariando a constituição, na época. Quando indagado sobre o assunto, Maluf declarou: "Prefiro um inconstitucional vivo que um constitucional morto", mostrando, acima de qualquer discussão política, a preocupação com a manutenção da vida humana.
 A constituição de 1988 não se entende com o Código de Transito, que é de 1998 e acabam entrando em conflito, assim como motoristas e pedestres no trânsito, cada um defendendo seus interesses e prioridades. Se não houvesse órgãos fiscalizadores, a convivência seria muito mais difícil e perigosa, como quando há uma queda de energia e se não tiver um agente de trânsito no cruzamento sem semáforos, não há entendimento entre os motoristas. A função do agente de transito é essa, garantir o entendimento nas vias públicas, orientando motoristas e pedestres, sinalizando situações de emergência e, se for necessário, coibindo o desrespeito à sinalização e às regras de circulação, que se dá através de gestos e apito, ou através do argumento da multa. Imaginem se o juiz de futebol não tivesse o cartão vermelho, será que todos os jogadores acatariam as suas ordens? Se muitos motoristas cometem infrações porque o "guarda" não está vendo, imagine se o "guarda" não puder fazer nada então...Infelizmente o ser humano ainda não atingiu um nível de evolução que permita viver em sociedade apenas pela Lei da Educação e Respeito ao seu próximo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Liberdade de imprensa ou reféns da Imprensa?

Os últimos acontecimentos relacionados à minha profissão e que foram noticiados pela imprensa local me fizeram lembrar do filme O Máskara, no qual o personagem vivido pelo ator Jim Carrey é traído pela repórter com cara de boazinha, mostrando um lado da imprensa que ás vezes não percebemos e acreditamos em tudo que dizem ou publicam.
 O polemico caso da proibição da URBS em fiscalizar o transito em Curitiba está sendo explorado de maneira indevida pelos jornais e noticiários, que viram aí a chance de vender a notícia, manipulando a forma como ela é apresentada ao público. Chamadas e enunciados que sugerem uma coisa e, depois, a matéria mostra (ou não) que na verdade é outra, mas quem não se aprofunda na notícia, acaba ficando com uma falsa ideia sobre aquilo. A imprensa diz aquilo que eles acham mais chamativo, sem se importar com os efeitos que isso pode causar na sociedade, como o exemplo desse caso, que se tratando de transito, pode ser muito perigoso dizer simplesmente que o órgão fiscalizador está proibido de fazer o seu trabalho. Durante minha jornada de trabalho percebi os efeitos dessa notícia "bombástica", que da noite para o dia tornou alguns cidadãos comuns, "perseguidos e injustiçados", em motoristas infratores e desrespeitadores das ordens dos agentes de transito, que agora "não podem mais nada". Infelizmente alguns motoristas param no sinal vermelho só porque a multa dói no bolso e gera pontos na carteira, não pela preocupação em não causar acidentes e ferir alguém. Isso mostra que a fiscalização é realmente necessária e os meios punitivos acabam sendo a única solução para a falta de respeito que alguns demonstram diante da vida humana. Agora, pense o que acontece quando se anuncia que ninguém mais será punido? Notei, também, que alguns veículos da imprensa estavam com o cartão do EstaR, mesmo os repórteres dizendo que a URBS não fiscalizaria mais, por que será, heim?
 Mas não dá para generalizar, pois há aqueles que se preocupam em informar de maneira correta, dando espaço para os dois lados se pronunciarem e pedindo cautela dos motoristas, pois as coisas ainda não estão definidas. Essa é a verdadeira função da imprensa, que deve ser comparada à Justiça, procurando ser sempre imparcial e não visando somente vender notícias. Acho até que deveria ser criado uma espécie de selo, algo como "Imprensa cidadã", que já existe para as empresas que põe o interesse coletivo acima do interesse particular. Aliás, o que todos nós deveríamos fazer, não só no transito, mas em todos os momentos das nossas vidas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Morte pede carona



Quando procuramos um carro para comprar, a lista de acessórios é uma das preocupações, pois todos querem ter mais conforto pagando menos. Direção hidráulica, ar condicionado, trio elétrico e outros itens que proporcionam bem estar no veículo estão entre os mais procurados e também há aqueles que o futuro proprietário deixa para instalar depois da compra, como rodas, som, alarme, insulfilme, etc., gastando razoável quantia no "brinquedo novo". Mas existem itens poucos lembrados, que as próprias concessionárias esquecem de enfatizar sua utilidade e esses itens podem fazer a diferença na vida, ou na morte, dos passageiros e condutor de um veículo.
Equipamentos como cintos de segurança, apoios de cabeça, barras de proteção laterais, airbags, estrutura deformável, são itens de segurança que tem a finalidade de minimizar os efeitos de um acidente e diminuir as lesões sofridas pelos ocupantes do veículo, mas só atuam depois que o pior aconteceu. A partir de 2014 todos os carros novos comercializados no país deveram ter obrigatoriamente airbag duplo, oque é muito bom, mas mostra o descaso das montadoras e do próprio consumidor, que não se preocupa com a própria segurança, pois se houvesse procura considerável pelo item, assim como ocorreu com os carros flex, as marcas já teriam adotado a incorporação do airbag como item de série e não esperariam por uma lei para ter essa atitude. Já tivemos no Brasil carros produzidos de série com itens de segurança ativa e passiva, que preveniam acidentes e  realmente protegiam a vida dos ocupantes, nos quais o airbag duplo, ABS, EBD, BAS e controle de estabilidade não eram opcionais, mas itens presentes em todos os modelos, protegendo todos os compradores da marca. Pena que o consumidor achou que era "muito caro" e o volume de vendas não contribuiu para a popularização desses sistemas.
A cultura automobilistica brasileira ainda sofre de falta de conhecimento e mitos como o de que "motorista bom não precisa dessas frescuras" contribui para o aumento de vítimas fatais e portadores de traumas provenientes de acidentes automobilisticos em nosso país, mas creio que com iniciativas como o projeto de lei que foi aprovado e agora obriga as montadoras à oferecer uma proteção à mais aos seus clientes e marcas que não pensam somente em lucros, mas também em  criar novas tendências de mercado e popularizar a segurança veicular, o consumidor brasileiro pense duas vezes antes de escolher entre um acessório que chame a atenção para sua "caranga incrementada" e um item de segurança que o mantenha vivo e sem maiores consequências.

Assista ao video e aprenda mais sobre sistemas de segurança ativa: http://www.youtube.com/watch?v=HWR79x1KW1A