quinta-feira, 1 de maio de 2014

Derrapando na Sala de Jantar



Quando eu tinha aprox. 17 anos e fazia trilha com uma DT 180, morava numa casa grande, com quatro quartos e como era só eu e meus pais, sobravam dois quartos. Pedi à eles para guardar minha moto num desses quartos vazios, pois assim poderia fazer sua manutenção mesmo a noite, pois não dispunha de muito tempo livre. Eles concordaram, mas minha mãe pediu para tomar cuidado com o piso de madeira, encerado e lustrado por ela regularmente. Providenciei tapetes para colocar sob a moto e recolhia ela com todo o cuidado, mas um dia, não sei porque cargas d'água, inventei de entrar com ela ligada, e na hora de fazer a curva para entrar no quarto, dei uma put@ patinada na sala de jantar, deixando riscos de borracha no assoalho da casa. Deu um pouco de trabalho, mas consegui remover as marcas e devolver o brilho ao piso e obtive o perdão da minha mãe. Oque não deu foi manter certos hábitos depois que casei, pois esposas não são tão compreensivas assim...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Motocross Futebol Clube

Assim como os times de futebol têm suas cores características, os "teams" de motocross também usam cores para se diferenciar e isso é adotado pelos torcedores, mesmo que no Brasil não seja muito comum ver pessoas com camisas de equipes de motociclismo. Nos anos 90, pelo que eu lembro, as principais equipes tinham sua cores características, sendo o verde para a Kawasaki, amarelo para a Suzuki, vermelho da Honda e azul para Yamaha. Eu tinha camisas de todas, e usava conforme a ocasião, mas minha predileta era a Yamaha, que era a marca da moto que eu possuía.
Numa tarde de domingo, estava usando essa camisa da Yamaha, com as cores azul-branco-preto, quando fui surpreendido por uma chuva de verão e decidi pegar um ônibus para tentar chegar em casa menos molhado. Naquele dia foi realizado um desses jogos de futebol chamados de clássicos, acho que era Paraná contra Atlético, por coincidência ambos com as cores vermelha, usadas pela Honda, que era a arqui-inimiga da Yamaha e que eu evitava de usar. Bom, quando entrei no ônibus, este estava lotado de torcedores de um dos times e quando chegamos no terminal, a torcida rival estava esperando para "recepcioná-los" com paus, pedras e tijolos. O motorista não pensou duas vezes e tocou direto para o módulo policial mais próximo, afim de evitar o confronto das torcidas, livrando-se dos "indesejados". Chegando lá, os policiais entraram no coletivo e mandaram todos que estivessem com camisas de time descer. Eu estava no fundo do ônibus e o policial que chegou até lá, olhou para a minha camisa e disse: "O gremista aí não precisa descer..."

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Porque a Moto me Torna uma Pessoa Melhor.

Passei o dia pensando em escrever essa postagem e quando chego em casa, me deparo com a notícia de que a presidenta Dilma deu uma fugidinha para andar de moto pelas ruas de Brasília...porquê será que ela optou por uma moto??? Bom, li uma notícia um pouco menos recente que falava sobre uma pesquisa, na qual se chegou à conclusão de que pessoas que andam de moto são mais felizes. Acho que a presidenta leu a mesma notícia...
Ao contrário da minha paixão pela aviação, que vem desde quando me entendo por gente, a paixão por motos foi algo que surgiu bem depois, mais exatamente aos 13 anos, quando um colega apareceu com uma mobilete e mesmo morrendo de medo, acabei dando uma volta na garupa. Alguns meses depois eu já tinha a minha e como sou meio autodidata, fui logo comprando uma revista, para entender melhor sobre a máquina e resolver eu mesmo pequenos problemas. Lembro até hoje a cara do mecânico perto de casa quando cheguei e disse que queria regular as válvulas da mobila...(rsrsrs). Mas aquela mobilete foi uma grande escola, onde aprendi muito sobre mecânica e um pouquinho sobre preparação. depois veio uma DT180, que me ensinou o valor do esporte e do companheirismo, pois na trilha, se um não ajudar o outro, ninguém passa! Puxar moto morro acima, tirar de atoleiro, desmontar motor no meio do mato, descobrir caminhos novos...tudo isso tenho uma saudade enorme, assim como todos aqueles que me acompanhavam, nos bons e nos menos bons momentos. Teve situações que senti a insignificância do ser humano, quando está no meio do nada, sem todos os seus apetrechos tecnológicos e isolado do resto da humanidade. Foi uma fase maravilhosa...Depois veio a fase das motos de passeio, onde curti muito com minha esposa, viajando e descobrindo lugares fantásticos. Teve a fase da moto pra trabalho, que me tirou de um baita sufoco financeiro e passou a ser necessidade diária. Agora estou numa fase mista, onde a moto faz parte do trabalho, me levando e trazendo com algum conforto e muita agilidade e economia, e também no lazer, em pequenas viagens e passeios a dois. Mas o mais bacana é ver que a moto, depois que entrou na minha vida, nunca mais saiu, mesmo que eu ficasse algum tempo sem ter uma. Sempre tinha contato com elas (motos) e com motociclistas. E que pessoal bacana esse que gosta de moto! Difícil ver dois motociclistas parados num semáforo sem que um dê uma olhadinha na moto do outro. Claro que às vezes rola uma certa rivalidade, mas o espírito de companheirismo sempre prevalece, principalmente quando se está em apuros, sempre tem um sangue bom pra oferecer ajuda. Poucas vezes vemos isso acontecer com motoristas comuns. A motocicleta aproxima e fortalece as amizades. Talvez por estarmos mais expostos que outros no trânsito, correndo mais riscos e enfrentando as intempéries, geralmente solitários, como cavaleiros medievais. Acho que daí o surgimento de tantos motoclubes e irmandades. Esse sentimento de pertencer a algo importante, que visa um bem comum, é inerente ao caráter e espírito do motociclista. E andar de moto, só pelo ato, já é algo maravilhoso, libertador, que atrai muitos, mas nem todos têm esse espírito liberto e aventureiro, que nos acompanha pelo resto das nossas vidas. Se eu não fosse um motociclista, acho que não seria a mesma pessoa, e arrisco dizer que aos meus defeitos, se somaria muitos outros, que a moto me ajudou à superá-los. Não seria fácil me aguentar, como já não é quando fico sem andar de moto por muito tempo...

Coisas que a moto me ensinou:
_ Arrisque-se mais, mas sempre mantenha a atenção lá na frente.
_ Antes só do que mal acompanhado, mas se alguém ver você cair, o socorro pode chegar antes.
_ Sofrer em boa companhia torna tudo mais fácil.
_ Chegar inteiro é mais importante que ter razão.
_ Perca um minuto no trânsito, para continuar pilotando o resto da vida.
_ Oque você acha que é certo nem sempre é, mas se você estiver aberto à experiências, mais cedo ou mais    tarde descobrirá o que realmente é.
_ A mesma velocidade que te mantêm em pé, também pode te matar, tudo depende de quanto você a dosa.
_ Até uma viagem ao inferno fica divertida quando se está de moto e com os amigos.
_ Nunca caia na pilha de competições, você não tem que provar nada a ninguém.
_ Cada um tem seu estilo e isso é o mais legal, pois seria chato se todos fossem iguais.
_ Tenha paciência com quem é menos experiente, pois amanhã ele poderá estar puxando a fila.
_ Estética é uma coisa secundária, o mais importante é estar seguro, confortável, seco e aquecido.

Têm mais um montão de coisas, mas essas já fazem uma diferença enorme. Quem souber interpretar e aplicar nas mais variadas situações da vida, tenho certeza que se destacará, e atingirá seus objetivos com mais rapidez e tranquilidade. E curtindo a viagem!

domingo, 19 de maio de 2013

O Pentecostes

"Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar.2 De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados.3 E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles.4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.5 Havia em Jerusalém judeus, devotos a Deus, vindos de todas as nações do mundo.6 Ouvindo-se o som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua.7 Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: "Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando?8 Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna?9 Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judeia e Capadócia, do Ponto e da província da Ásia,10 Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma,11 tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua!"12 Atônitos e perplexos, todos perguntavam uns aos outros: "Que significa isto?"13 Alguns outros, todavia, zombavam e diziam: "Eles beberam vinho demais"
Hoje se comemora na Igreja Católica o Domingo de Pentecostes, quando o Espírito Santo se manifestou aos apóstolos de Jesus. A crença no espírito é comum a várias religiões e transmite a ideia de que somos formados pela união do corpo (matéria) com a alma (espírito). Essa união pode ser desfeita com a morte do corpo e a "libertação" do espírito, que voltaria para sua condição primitiva, mas já "aperfeiçoado" pela experiência carnal. É inegável que temos uma "essência" maior do que nosso corpo, que nos faz tomar atitudes inexplicáveis pelas leis da natureza e essa essência se modifica pela vivência, mas também preserva características imutáveis ao longo dos anos.
Se somos seres espirituais, aprisionados no corpo material, podemos sofrer interferências tanto do mundo material (dor física, fome, frio, calor, cansaço, etc.) como do mundo espiritual (amor, ódio, sentimento de vingança, gratidão...) que não são comuns aos animais. E essa "interferência" foi oque aconteceu de uma maneira extraordinária com os apóstolos, quando receberam em seus corpos a presença de outro espírito: o Espírito Santo.  Durante essa manifestação do Espírito Santo, o indivíduo tem sua coordenação motora (fala, gestos,expressões) atribuída a algo que não vem de sua própria vontade, mas sim de sua passividade diante de uma entidade espiritual, como pode ser observado em outras religiões também. A diferença é de onde vem essa "entidade". O Espírito Santo é a manifestação de Deus através do dom deixado por Cristo, como algo para nos lembrarmos e sentirmos sua presença de maneira material, assim como ocorre na eucaristia. Dessa forma, nossa memória preserva a lembrança, como quando olhamos uma foto ou sentimos o perfume de alguém que queremos bem e desejamos ter sempre guardado na memória. Quem nunca lembrou de uma pessoa querida, ao sentir um perfume ou ouvir uma música, ou ver algo que lembrasse momentos felizes ao lado daquela pessoa? Assim ocorre conosco, mesmo que nunca tenhamos visto Jesus, mas lembramos dele e sentimos sua presença através de Seu Espírito. Porém, gostaria de lembrar que esse dom (línguas) não nos torna melhores que os outros, pois isso é apenas algo pessoal e não serve de nada para que possamos ajudar nossos irmãos. Mais importante que os dons, são os Frutos do Espírito, como nos explicou Paulo: "Mas o fruto do Espírito é: o amor, a alegria, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei."
E Paulo nos deixou bem claro que o maior deles é, sem dúvidas, o Amor:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. "

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ônibus? Tô fora...

Faz quatro meses que vendi minha moto e tive que voltar para o martírio diário do transporte coletivo. Quem utiliza esse tipo de transporte no dia-a-dia conhece bem os problemas enfrentados e a maioria espera ansiosa pelo dia de se livrar da sua dependência. Alguns dirão que não é  tão ruim assim, que temos em Curitiba um dos melhores transportes públicos do país e que é preciso colaborar para melhorar o trânsito e tal...Mas, a verdade é que estamos longe de ter algum conforto e segurança, principalmente quem utiliza as linhas metropolitanas, que parecem ser menos fiscalizadas e ficam um pouco abandonadas pelas empresas operadoras. Basta ver o estado de alguns carros, que parecem ter mais de 20 anos de uso, cheiram mal e costumam dar constantes problemas, causando atrasos nos horários e deixando os usuários "na mão". Além disso, muitos motoristas devem pensar que passageiro é refém do sistema (e deve ser mesmo), pois não tem o mínimo de educação e cuidado na forma de conduzir o veículo, arrancando e freando bruscamente, sem falar na forma perigosa como provocam os condutores de outros veículos que transitam pela via. Junto com o desconforto de ser tratado como gado, ainda tem a falta de confiabilidade dos horários, que sofrem com constantes atrasos e até mesmo ausência de carros em determinados horários, oque faz o passageiro ficar plantado no ponto sem saber se seu ônibus está apenas atrasado ou se não virá. Já aconteceu diversas vezes comigo, e o pior é que algumas vezes deixamos de usar outra linha e depois temos a surpresa desagradável de constatar que realmente ele não passará. Se fosse só chegar atrasado ou ter que caminhar uns quarteirões a mais, sem problema! Mas fica-se no ponto, às vezes só, à noite e correndo risco de assaltos, que são constantes, tanto dentro como fora dos ônibus...
Fonte: http://genuflexo.blogspot.com.br/2012/02/arte-de-pegar-um-onibus.html
Com todos esses problemas, fica difícil convencer alguém a deixar o conforto do carro para virar sofredor dentro das "latas de sardinha" que têm a pretensão de nos transportar e ainda receber elogios do trabalhador que passou um dia de cão e ainda tem que encarar mais uma aventura para chegar no conforto de seu lar. O carro adianta um pouco esse conforto, mesmo que custe mais carro e demore mais para chegar (será?). Arrisco até a dizer que em trajetos curtos, com menos de 10 quilômetros, eles se equivalem, pois qualquer carro moderno faz perto de 10 km/l e a passagem custa quase o mesmo que um litro de gasolina. Se tiver onde estacionar, pra quê sofrer? Ou, então, opta-se pelas motos, que são de longe a melhor alternativa, tanto na economia como na agilidade, perdendo só em conforto e segurança (relativo, também). Esse é meu caso, que espero estar solucionado muito em breve, com a compra de outra moto, para fazer o trajeto casa-trabalho-casa e pequenos deslocamentos urbanos. Se houvesse uma infra-estrutura melhor, preços menores e mais segurança, poderia até escolher a bicicleta elétrica, que supriria minhas necessidades com total economia e praticidade, mas ainda é um sonho distante, pois não tenho coragem de investir o valor de uma moto em um veículo que sofre com a falta de respeito dos demais condutores e que pode ser furtada com certa facilidade. Por mais que seja um amante do pedal, ainda não me sinto seguro para usar a bike como meio de transporte. Espero que esse quadro mude com o tempo e trabalho dos nossos governantes, cada vez mais pressionados a tomar uma atitude que mude essa carrocracia que existe hoje, onde quem tem carro é rei, e a plebe que se vire nas "masmorras coletivas" que circulam com dificuldade no mar de veículos comprados com IPI reduzido e financiamento em trôcentas vezes sem juros...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sobre carros e sapatos

Foto: http://flaviogomes.warmup.com.br/tag/laika/
"Carro rebaixado é igual mulher de salto alto; é difícil de andar, mas fica um tesão..." A frase no vidro de um corsinha (enterrado, diga-se) me chamou a atenção, e mesmo sendo uma filosofia de "mano" (nada contra, nem a favor), não deixa de ter um fundo de verdade. Sapatos e automóveis têm mais em comum do que podemos pensar, pois ambos dizem muito sobre seus donos. Num mundo ideal, tanto um como outro poderiam ser usados todos os dias, nos mais variados tipos de pisos e ocasiões, mas como esse mundo não existe, temos que escolher qual carro ou sapato usar, de acordo com o momento. No caso dos sapatos, a coisa é mais simples, pois podemos ter vários pares, de diversos tipos e modelos, que não ocuparão tanto espaço ou custarão tão caro. As mulheres podem sair de casa com um salto de 15cm e ter na bolsa uma sandália ou tênis para imprevistos e terrenos irregulares, mas um carro é algo que tem custo relativamente mais alto e que precisa de espaço para ser guardado, então, tem que ser escolhido com cuidado. Um executivo pode optar por um sedã luxuoso ou um imponente SUV, que demonstrariam claramente o quão bem-sucedido ele é, mas não são veículos práticos e econômicos para o dia-a-dia. Já o jovem solteiro pode ter um esportivo para ir à balada e fazer sucesso com a mulherada, mas ficaria limitado a rodar apenas em locais bem pavimentados. Cada veículo tem um uso específico e consumidores certos, porém o ser-humano é um animal sentimental e não haje apenas pela racionalidade. Assim como as mulheres gostam de colecionar sapatos, os homens se deixam atrair por carros e se puderem teriam um de cada modelo para cada dia da semana. Como isso não é possível à maioria dos mortais, então resta escolher um e depositar sobre ele toda a sua personalidade, para se diferenciar em meio à multidão. Isso explica o porquê de vermos tantos carros baixos se arrastando pelas ruas. Por mais que um sapato de salto seja desconfortável, perigoso e prejudicial à saúde, não dá pra negar o impacto que eles causam tanto em homens como em mulheres (geralmente com um quezinho de inveja nelas). O carro rebaixado é assim também, chamando a atenção e causando inveja por onde passa. Claro que isso tem um preço, pago a cada lombada, cada buraco das nossas maravilhosas ruas, que não perdoam nem mesmo Ferraris. Na maioria das vezes, é o fator emocional que decide a compra do carro e a personalização segue esse mesmo caminho, contrariando a razão e os gostos alheios. É errado isso? Bem, desde que seja respeitada a lei, acho que não. Se te agrada, então o esforço vale a pena, mesmo que o torne alvo de críticas. Mas deve-se sempre respeitar os limites do veículo, pois ninguém vai correr no parque de sapato social: pode ser desastroso, tanto para o condutor do veículo rebaixado, quanto para outros que podem ser envolvidos em um acidente. Também deve-se realizar as modificações com total segurança, usando peças especiais e sem gambiarras e improvisos. No mais, é só curtir os soquinhos e que se abaixem as formigas!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Orientação X Autuação - 2

Recentemente, uma declaração do secretário de trânsito de Curitiba reacendeu as discussões sobre as atribuições dos agentes da Setran, que devem orientar e fiscalizar o trânsito da capital. Já havia comentado em outra postagem sobre os impedimentos físicos da orientação no caso de uma infração já cometida, devido à impossibilidade de comunicação entre o agente e o condutor. Agora, pretendo explanar rapidamente os impedimentos legais de APENAS orientar e não autuar o condutor infrator.
Fonte: http://blogdowalterlima.blogspot.com.br/p/seus-direitos.html
O antigo código de trânsito previa uma "advertência verbal" para o condutor infrator, quando o agente de trânsito julgasse "involuntária e sem gravidade" certos tipos de infração e, talvez daí que veio a ideia errônea de que o agente pode fazer o papel de juiz, julgando no momento se é conveniente ou não autuar o infrator. Com a entrada em vigor do novo código de trânsito, não existe mais, legalmente, essa possibilidade, sendo a lavratura do Auto de Infração um ato vinculado, que deve ser realizado, de ofício, pelo agente da autoridade de trânsito. Veja bem: o agente de trânsito é um agente público e nessa condição deve agir em virtude da lei, sendo passível de punição prevista em lei quando não realiza seu trabalho, ou o faz de maneira incorreta. Se o CTB define, no art. 280, que a lavratura se dá na constatação da infração, concluímos que não cabe ao agente "optar" por ela, sendo esta obrigatória. Contudo, assim como no antigo código, o novo também prevê a advertência por escrito e, esta sim, sendo uma discricionariedade da autoridade de trânsito, que pode aplicá-la em substituição à multa pecuniária, nos casos previstos no art. 267 do CTB. Ao agente de trânsito, cabe apenas julgar se o ato cometido pelo condutor seria ou não uma infração de trânsito e, preenchidos os requisitos, lavrar o auto. Então, a orientação só é possível como um meio de se prevenir o cometimento da infração como, por exemplo, uma recomendação para que se coloque o cinto ou desligue o celular antes de pôr o veículo em marcha.
Pode parecer um tanto antipático e radical demais essa postura exigida do agente de trânsito, que pode até mesmo ser julgado como "desprovido de bom senso". Porém, o cumprimento da lei é exigência imposta à todos, até mesmo àqueles que fiscalizam e que, diante de uma acusação de improbidade administrativa, não poderão alegar que o "bom senso" não os permitiu realizar seu trabalho. Trabalho que, tendo em vista o princípio da supremacia do interesse público, é de vital importância que seja realizado com total imparcialidade e impessoalidade pelo agente de trânsito.

Se você gostou desse texto, leia também: Multar ou não multar: eis a questão.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Radares escondidos: Mentira descarada!

Essa semana me chamou muito a atenção uma foto postada no facebook que mostrava supostos radares escondidos atrás de placas de trânsito e que seria em Curitiba, mais exatamente na Av. Com. Franco (av. das torres), no bairro Uberaba. Interessante que em uma rápida avaliação já é possível notar uma grande diferença entre as luminárias que aparecem na foto e as que existem na Av. Com Franco. Levando isso em consideração, fiz uma pesquisa na internet e descobri que a foto seria da Av. Bezerra de Menezes, em Fortaleza - CE.
Sem querer discutir se realmente se trata de radares (que mais parecem câmeras de monitoramento, e que estão sendo instaladas aqui em Curitiba para o SIM - Sistema Integrado de Monitoramento), penso que quem fez essa postagem não se preocupou em averiguar a veracidade dos fatos e causou um sensacionalismo, pois temos muitos "fãs da velocidade" que não gostam de serem fiscalizados e preferem imprimir livremente a velocidade que quiserem na via, sem se preocupar com os riscos que causam aos demais usuários, principalmente aos pedestres. "Atirar pedras" nos órgãos fiscalizadores é um dos esportes nacionais preferidos e os políticos sabem muito bem disso, então, criam essas postagens para atacar seus adversários que estão no governo. Não faz um mês que a nova gestão assumiu a prefeitura de Curitiba, e já recebe ataques daqueles que perderam as últimas eleições. E são ataques covardes e mentirosos. Não sou advogado de ninguém, mas esse tipo de coisa me irrita! Se quer atacar, faça de modo honesto e com argumentos verídicos. E, pior, sem usar imagens alheias e distorcer os fatos...

A foto publicada no facebook:

A foto original, extraída do site: charlessomce.blogspot.com.br


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cenas de Curitiba: Aconteceu na Sete de Setembro

Fiscalizando as vagas de estacionamento na Av. Sete de Setembro, me deparei com um veículo estacionado na vaga de 15 min. sem o pisca-alerta ligado. Olhei em volta, verifiquei a farmácia do outro lado da rua, aguardei uns minutinhos, mas como ninguém apareceu, não teve jeito, tive que pegar o bloco e emitir o Auto, não sem antes dar mais uma olhada ao redor. Autuar por falta do pisca-alerta é um pouco "dolorido", pois sabemos que todos estamos sujeitos a um esquecimento, porém, se constatada a infração, não tem jeito...
Quando acabei de preencher o Auto, ouço:
_ Moço! Moço! É meu, não multa, por favor!
_ Lamento moça, o Auto já foi lavrado.
_ Puxa vida! Eu fui atender um paciente, estava nervosa e esqueci do pisca-alerta...por favor, não faz isso.
_ Não tenho como lhe ajudar, até aguardei uns minutinhos, mas ninguém apareceu. Agora, só resta o recurso...
Ela começou a chorar:
_ Foi só uns minutos! Puxa, vocês não deixam nem a gente trabalhar...
Nisso passou um senhor e com um olhar reprovativo, disse:
_ É rapaz, um dia sua hora vai chegar e você vai ter que prestar contas do mal que fez...
_ Minha consciência está tranquilha, senhor, não fiz mais que meu trabalho...
Mas confesso que na hora senti um nó na garganta, porém continuei meu trajeto. Não andei dez metros e um rapaz que vende cartões veio falar comigo:
_ Eu falei pra aquela bobona que você estava vindo, mas ela tava a um tempão no maior papo com a balconista da farmácia; nem deu bola...bem feito pra ela!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Estado deve ser Laico

“É incrível que esse monge ignorante disse e pregou. 
Deu cartas seladas, que declaravam que até os pecados
que um homem tencionava cometer seriam perdoados. 
O papa, dizia ele, tem mais poder do que todos os Apóstolos,
todos os anjos e santos, mais até que a própria Virgem Maria;
pois estes eram todos subordinados a Cristo, mas o papa era 
igual a Cristo.” (Myconius, frade franciscano, Alemanha, 1517).
Nas últimas eleições vimos uma corrida religiosa pelo poder. Alguns candidatos usaram sua crença para angariar votos, sabendo que as comunidades religiosas são unidas e cooperantes. Mas, será que está certo usar uma escolha pessoal para promover a subida ao poder? Será que a intenção é só ajudar os "irmãos" de fé? E Jesus, aprovaria isso? Essa busca pelo poder me faz pensar se Cristo teria atendido os anseios daqueles que queriam ver o fim do domínio de Roma sobre a palestina. Com seu prestígio e influência, com certeza teria liderado um exército muito grande, e somado aos zelotes, criaria grandes problemas para César. Mas ele não estava lá para começar uma "guerra santa", com grande derramamento de sangue. Cristo teria declarado que seu Reino não era desse mundo, e isso criou grande desconforto entre os revolucionários. Também não se opôs ao pagamento dos tributos, que tanto oprimia o seu povo. Será que Cristo era indiferente aos problemas sociais e políticos da época? Creio que não, mas sabia que não deveria interferir em algo que pertence a essa "nossa realidade". Sua missão era espiritual, e só interferiu naquilo que seria essencial à anunciação da sua mensagem. Se desse o poder aos zelotes, estaria simplesmente colaborando para a criação de um regime totalitário, baseado em uma doutrina religiosa. Vemos que no decorrer na história, essa concentração de poder nas mãos de grupos religiosos era muito comum, descadeando disputas de poder baseadas na fé daqueles que acreditavam, no fundo de seus corações, que estavam fazendo a "vontade de Deus", mas serviam como massa de manobra para uns poucos inescrupulosos. Hoje isso continua a acontecer, a busca desenfreada do poder, usando a fé do povo como trampolim político. Mas isso não quer dizer que um homem público deva negar sua fé, mas sim mantê-la na sua vida pessoal, como fortalecimento interno, e não como chamariz de votos para sua campanha eleitoral. Se for eleito, sofrerá pressões por parte de comunidades religiosas, que exigirão uma postura favorável a certos costumes, e que podem infringir os direitos de outros grupos, que também são cidadãos cumpridores de seus deveres cívicos. A constituição nos assegura a liberdade religiosa, mas devemos ter a consciência de que nossas crenças não devem ferir os direitos do próximo. O Estado já favorece demais as instituições religiosas, herança do tempo que se fundia com a igreja e um estava à mercê dos caprichos do outro. Durante séculos o estado sofreu a influência papal, e hoje estamos sujeitos a ter governantes obedecendo a bispos e pastores. Por isso digo que votar deve ser um ato cívico, sem influências de doutrinas religiosas, que podem estar mascarando interesses pessoais de um determinado candidato ou grupo político. Devemos procurar manter a democracia e não deixar que se instale uma teocracia, ditando a vida das pessoas e impondo costumes religiosos, como acontecia na Idade Média, porém hoje sob a forma de siglas partidárias, mas com o velho discurso de estarem protegendo a família e os bons costumes.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Eleições 2012: Descendo do Muro

Confesso que enquanto via os colegas blogueiros se posicionarem a favor deste ou daquele candidato, eu estava em dúvida se deveria tomar uma posição ou ficar neutro, pois política é algo que não tenho muita intimidade. Porém, após o último debate dos candidatos, confirmei minha decisão de voto e acho justo compartilhar minha opinião com os leitores do blog, mas quero mostrar as razões que me levaram a fazer essa escolha.
Um pouco da minha história: nasci em São José dos Pinhais e cresci aqui, mais precisamente no bairro Boneca do Iguaçú, próximo ao rio ressaca. Lembro que quando era criança, já acontecia algumas enchentes, que afetavam os vizinhos do outro lado da minha rua, mas nunca chegou em minha casa. Não é nada agradável ver as pessoas perdendo seus pertences na água, mas senti isso na pele pela primeira vez em 2003, quando a água atingiu a casa dos meus pais e meu carro que estava na garagem. Depois disso foi uma sucessão de enchentes até que fui forçado a sair de lá e ir pagar aluguel, em 2007. No mesmo ano, começaram as obras no rio, que se arrastaram pelos anos seguintes, de forma tão lenta que parecia que não terminaria nunca. Uma única ponte levava mais de um ano para ser concluída. A partir de 2009/2010 as obras deslancharam e a coisa começou a tomar forma. Nos anos seguintes as famílias foram transferidas e não houve mais enchentes. O parque está quase pronto no primeiro trecho e vejo as pessoas desde já usufruírem dele diariamente. Meus pais ainda moram no mesmo lugar e tenho planos de construir uma casa na parte do terreno que estava inutilizado por causa das enchentes. Vejo um futuro de paz e esperança para aqueles que sofreram tanto naquele lugar. Não sei quem ou oquê foi o causador de tantos transtornos, mas sei que foi durante a atual gestão que os problemas foram definitivamente solucionados. Isso é fato.
Obras do Parque Linear do Rio Ressaca, Maio de 2011
Diante disso, não dá para não reconhecer a importância de um gestor público na vida dos moradores de áreas de risco, pois a qualidade de vida está diretamente ligada às obras de infraestrutura e saneamento realizadas no local. As gestões anteriores não fizeram oque era necessário e o sofrimento se estendeu por muitos anos, gerando desconforto e risco aos moradores do Boneca do Iguaçú. Só isso já vale meu voto, mas tem outros motivos, como a sucessão malfadada da gestão Setim, que nos deixou uma administração visivelmente inferior (Leopoldo Meyer), tanto que não conseguiu a reeleição em 2008. Acredito que a continuidade da atual gestão pode nos trazer muitos outros benefícios e merece um voto de confiança. O desempenho do candidato Ivan Rodrigues no debate realizado no último sábado confirmou a sua superioridade face aos seus concorrentes, me dando a certeza do voto. Mas o fato de ter escolhido votar nele não significa que vou "dar moleza" pra prefeitura e continuarei cobrando tudo que vejo de errado na nossa cidade. Independente de quem for o prefeito, temos o direito e o dever de fiscalizar seus atos e cobrar melhorias no nosso município. A gestão termina, mas os benefícios permanecem.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

No que se transformaram nossos passeios

Código de Posturas do Município de São José dos Pinhais:
"Art. 71. É proibido embaraçar ou impedir por qualquer meio o livre trânsito nas estradas e caminhos públicos bem como nas ruas, praças e passeios da cidade, vilas e povoados do Município.
Parágrafo único. Compreende-se na proibição deste artigo o depósito de quaisquer materiais, inclusive de construção, nas vias públicas em geral."
"Art. 73. Não será permitida a preparação de reboco ou argamassa nas vias públicas, senão
na impossibilidade de faze-lo no interior do prédio ou terreno. Neste caso só poderá ser utilizada
a área correspondente a metade da largura do passeio."


LEI COMPLEMENTAR Nº 16, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2005
Art. 63. Para efeito desta Lei Complementar, via urbana é composta de:
I - faixa de veículos - conjunto da área de circulação dos veículos (pista de rolamento) mais
o espaço destinado ao estacionamento;
II - calçada – é a parte da via, normalmente segregada e em nível elevado de 5,00cm (cinco
centímetros) a 25,00 (vinte e cinco centímetros), reservada ao trânsito de pedestres e à
implantação de mobiliário urbano;
III - passeio – é a parte da calçada livre de interferências, destinada à circulação exclusiva
de pedestres;


Passeio totalmente obstruído por material de construção
Tapumes tomam conta do passeio
Areia e entulhos depositados sobre a calçada
Caçamba ocupa quase a totalidade da calçada, não sobrando
espaço para um cadeirante ou carrinho de bebê
Além de ocupar o passeio com tapumes e material de
construção, ainda estacionam veículos no espaço restante
Aqui temos, literalmente, uma barreira para o pedestre

Código de Trânsito Brasileiro: 
Art. 181. Estacionar o veículo:VIII - no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público:
Infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - remoção do veículo;

Aqui o passeio já é estreito, e o veículo toma conta
completamente do espaço.
Rua de intenso fluxo de veículos, com o passeio bloqueado,
forçando o pedestre a caminhar pela faixa de rolamento.
Já que é proibido estacionar na via, então estaciona-se sobre
o passeio, mesmo...
Gostaria de dizer que é obrigação da prefeitura fiscalizar as irregularidades nas vias públicas e notificar os responsáveis. O canal de comunicação da prefeitura de São José dos Pinhais funciona e devemos usá-lo. Constatando alguma irregularidade no seu bairro, denuncie, pois este é um direito e também um dever do cidadão consciente. Link do: Fale com a prefeitura














segunda-feira, 30 de julho de 2012

Orientação X Autuação

Foto:  http://joselitobraz10.blogspot.com.br/
Imagine a seguinte cena: em uma rua que possui três faixas de circulação, em determinado trecho ocorre um estreitamento, devido a vagas de estacionamento ou outro motivo qualquer. Uma quadra antes, existem placas de sinalização e marcações que obrigam o motorista a fazer uma conversão, a fim de não criar confronto entre os veículos que seguem reto. Um motorista que transita por essa faixa, devido a falta de atenção (talvez por estar utilizando o celular...) ou por pura e simples falta de respeito com a sinalização e os outros usuários da via, resolve seguir reto, forçando passagem entre os veículos e causando transtornos e risco de acidente. Esse motorista merece ser orientado ou multado? Vamos supor que tenha um agente de trânsito no cruzamento, e que, percebendo a intenção do motorista em seguir reto, o agente se utiliza do apito e gestos para orientar o motorista a fazer a conversão obrigatória. Se o motorista acatar a ordem e realizar a manobra antes da faixa contínua, a orientação foi bem sucedida e impediu que o motorista cometesse a infração e causasse transtornos ao trânsito. Neste caso não houve infração e não há autuação. Mas, e se o motorista seguir reto mesmo assim? A orientação do agente não evitou a infração, e havendo a constatação, pede-se a emissão do Auto. O motorista foi autuado e está ciente do ocorrido. Ele pode até dizer que o agente não tem "bom senso", pois só a orientação por apito seria suficiente para torná-lo ciente da infração cometida. Mesmo que o agente não tivesse a obrigação de autuá-lo, a orientação poderia ser mal interpretada, ou o motorista poderia simplesmente não saber o motivo dos silvos e gestos emitidos pelo agente de trânsito. Imagine, agora, se ao invés do agente, houvesse um radar no cruzamento, que detectasse a manobra irregular. O radar não poderia orientá-lo antes do ocorrido, de uma forma preventiva, mas após a infração, seria emitido o auto e o motorista receberia a notificação, ficando ciente do ato infracional cometido, tendo que arcar com o ônus da multa. Não seria uma forma de "orientação", também? Quando se concede ao cidadão o direito de conduzir um veículo automotor, espera-se que ele tenha passado pelo mínimo de horas-aula em um CFC, exigidas por lei e que tenha sido aprovado nos testes teórico e prático do Detran de seu estado. Esse indivíduo, além da capacidade de conduzir o veículo, deve conhecer as regras de circulação e a sinalização de trânsito, para poder conviver pacificamente com os demais usuários da via. Ele não pode alegar desconhecimento ou incapacidade de compreender os sinais de trânsito, pois estaria confessando a inaptidão para conduzir o veículo. Nesse caso, o agente de trânsito não tem o dever de orientar, pois o condutor já deveria ter o conhecimento necessário e se cometeu a infração, é porque não observou a sinalização e as regras de circulação. A orientação se torna necessária quando temos situações não previstas, como um acidente de trânsito ou um evento (obras, passeata, etc.) que altere a circulação normal do trânsito. Aí entra o trabalho orientativo do agente de trânsito. No dia-a-dia também pode haver a orientação, como no exemplo citado ou em campanhas de prevenção de acidentes de trânsito, mas oque não pode haver é a ideia falsa de que o agente de trânsito deve fazer o papel de "instrutor de auto-escola", ensinando aos motoristas já formados regras que eles deveriam saber antes mesmo de receber a 1ª habilitação. Se ocorrem tantas infrações por "desconhecimento" dos motoristas, devemos pensar que há algo de errado com os métodos de formação e avaliação dos candidatos à habilitação. A fiscalização de trânsito apenas tenta sanar esse problema, utilizando-se, infelizmente, da maneira mais dolorosa que existe: a multa.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cuidando do passado para garantir o futuro

Mural retratando a praça 8 de Janeiro, em 1900. Podemos ver a antiga igreja, os casarões em torno da praça, araucárias e palmeiras. Hoje, oque sobrou dos casarões está oculto pelos painéis das lojas e do comércio local. foto:http://deconvivium.blogspot.com.br/ 
Andando hoje pela praça 8 de Janeiro aqui em São José dos Pinhais, fiquei pensando o quanto essa cidade mudou, totalmente diferente da imagem de 1900, retratada no painel em frente à igreja. Nossa igreja já não é mais a mesma, os casarões da r. XV de novembro estão totalmente descaracterizados e muitos nem existem mais, substituídos por sobrados e imóveis modernos. Os que permanecem em pé, tiveram suas fachadas cobertas por painéis do comércio, que não se importa em conservar a memória do município, pensando só em chamar a atenção e aumentar as vendas e os lucros. Talvez esse comportamento esteja completamente equivocado, pois cria uma imagem desagradável da paisagem e nem chama mais a atenção de quem passa pelo local. Se fossem conservadas as fachadas originais dos imóveis antigos, a imagem seria muito mais agradável, chamando a atenção não só dos moradores do município como também quem está de passagem, despertando o desejo de fotografar e de voltar futuramente. Seria um grande incentivo ao turismo, que movimentaria o comércio e ajudaria o município a crescer, como já acontece em muitas cidades do estado, como a cidade histórica da Lapa, Castro, Antonina e até mesmo Curitiba, que apesar de seu desenvolvimento, ainda conserva imóveis e lugares históricos, visitados por turistas do mundo todo. São José dos Pinhais poderia ter muitas atrações turísticas, pois tem uma história repleta de acontecimentos interessantes e muitas belezas naturais, mas que não são exploradas. Está certo que temos o caminho do vinho, atrativo turístico já consagrado em nosso município, mas não podemos ficar só nisso; temos as colônias Marcelino, Castelhanos, Murici, Accioli e muitas outras que poderiam receber incentivos para investir no turismo rural, como faz Piraquara, Campo Magro, Araucária e outras cidades da região metropolitana, que criaram rotas de turismo rural e que são sucesso, movimentando a economia local. Parece que aqui a coisa começou a "deslanchar" agora, pois antes não havia investimento algum por parte da administração pública. Com a criação da lei de incentivo à conservação do patrimônio histórico em São José dos Pinhais, temos a esperança de não ver mais prédios históricos sendo demolidos para dar lugar a imóveis modernos, ou simplesmente abrindo espaço para estacionamentos particulares. Pena que essa lei veio um tanto tarde, mas é um grande avanço e que pode mudar o modo de pensar de algumas pessoas, que gostam de dizer que "quem vive de passado é museu". Não podemos nem devemos deter o progresso, mas se não temos memória e não conhecemos nossas origens, como poderemos saber quem somos e para onde queremos ir? Moderno e antigo podem conviver harmoniosamente, embelezando ainda mais nossa cidade e trazendo pessoas para conhecer nossa história e, quem sabe, fazer parte do nosso futuro.
Projeto de revitalização do centro de vivência João Senegaglia. fonte: prefeitura de São José dos Pinhais

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Meu Amigo Charlie

"Meu filho, por que você não compra um fusquinha, é um carrinho tão bonitinho..." Confesso que me soou um pouco estranho a sugestão de minha mãe, após ter vendido meu monza, que era um carro confortável e de desempenho satisfatório. O único fusca que dirigi até então, era um fusquinha amarelo, da bandeirantes, que tive quando era criança, e sair de um monza para um fusca era uma ideia que não me agradava nem um pouco. Como era um tempo de "vacas magras" e precisava de um carro para sair com a família, mas que fosse de baixo investimento, manutenção barata e simples, e que pudesse vender logo, para comprar um melhor, o fusca me pareceu a opção mais racional, "mas só por pouco tempo", pensei.
O Charlie, quando o comprei, ainda sem saber das  "monstruosidades"
que os "mexânicos" tinham feito com ele, pobrezinho...
O Charlie-Whiskey-Echo, ou simplesmente Charlie, para os amigos,  pertencia a um ex-patrão, que me fez uma proposta tentadora, para pagar em "suaves prestações" e que parecia estar em bom estado, oque descobri depois ser um lamentável engano. Apesar de sua ótima aparência, devido à pintura e estofamentos novos, o carro tinha recebido uma "maquiada", só para passar pra frente, e pouco tempo depois estava estourando ferrugem por todas as partes. Tentei me livrar do problema, pois sabia que se fosse arrumar, teria que "comprá-lo" novamente, mas tem coisas que não adianta pensar só no bolso; tem o lado afetivo, também. Tinha vontade de restaurar um veículo antigo há muito tempo, de preferência um opala, mas o fusca se mostrou melhor opção, novamente, e decidi ficar com o Charlie, para eu mesmo trabalhar na sua revitalização. Não gosto de chamar de restauração, porque ao meu ver, isso é coisa para quem pretende um veículo 100% original, digno de placa preta, oque não é meu caso, pois quero um carro especial, com detalhes que o diferencie dos demais, e novamente o fusca é o ideal para isso, pois ele é como as Harley-Davidson, que nunca são iguais, por causa da customização que seus donos fazem nelas. Acho que é isso: um fusca customizado, com partes de diversos modelos e um toque pessoal, para dar personalidade ao Charlie. Você pode ter uma Ferrari, mas seu vizinho pode comprar uma idêntica; já um fusca, duvido que encontre outro igual...
Mês que vem o Charlie será internado, para fazer a funilaria e pintura, que consiste na parte mais complexa e demorada da reforma. Ainda não sei bem oque será feito, mas pretendo acompanhar todo o processo, fazendo exatamente aquilo que vier na cabeça. Não tenho ideia de valores nem de prazo, só sei que a paciência para ficar sem ele na garagem vai ter que ser enorme, mas essa separação momentânea se faz necessária, para que ele possa continuar por muito tempo sendo esse companheiro de aventuras e amigo fiel que mostrou ser todos esses anos.

domingo, 6 de maio de 2012

Coração de Soldado

Os Cavaleiros Templários, monges soldados 
que combatiam para defender o povo. Um dos
maiores exemplos de servidão já vistos, mas que 
não foi bem compreendido.
Antes que me perguntem: não, eu não servi no exército, mas estive bem próximo de me alistar como voluntário. Só não o fiz por ser filho único e isso é fator determinante nas minhas decisões. Mas meu coração sempre vai pertencer a vida servil, pois a vontade de fazer parte de algo grande e importante para toda a sociedade, mesmo que seja na vida civil, é muito forte, que faz parte de mim. A admiração pelos militares e religiosos é uma coisa que sempre enfatizo, por eles se doarem totalmente à causa, sem pensar nas consequências nem nas recompensas. Um soldado, assim como um padre ou monge, precisa esquecer suas vontades e anseios pessoais e viver para a missão que se dispôs a cumprir, sem olhar para trás e sem esperar nada em troca, nem mesmo o reconhecimento daqueles aos quais serve. Sua recompensa é fazer aquilo que seu coração manda, obedecendo ordens e cumprindo oque seus superiores determinam, mesmo que muitas vezes não entenda bem os propósitos disso. Cumprir ordens talvez seja tão difícil quanto dá-las, pois fazemos coisas sem entender o porquê de fazê-las e somos questionados sem ter respostas precisas; só sabemos que temos que fazê-las. A meu ver, isso não é alienação e muito menos manipulação; é apenas dever, para o qual se dispõem a cumprir e da melhor forma possível. Um pedreiro não precisa ser formado em engenharia civil para levantar uma parede; tem que saber assentar tijolos. Já um engenheiro pode até saber levantar paredes, mas se o fizer, quem é que comanda a obra? Todos somos importantes, não interessa em qual parte da pirâmide estamos: na base ou no topo. Comandantes e comandados tem que saber seu valor e suas responsabilidades, para que a missão seja cumprida. Esse sentimento de dever e responsabilidade é oque falta na nossa sociedade atual, pois nossos jovens não querem aceitar ordens e nem assumir responsabilidades. Não sou à favor do serviço militar obrigatório, mas admito que seria a salvação para muitos. Vejo os veteranos expedicionários que voltaram da Itália e fico imaginando quantos "rebeldes sem causa" voltaram de lá como heróis de guerra e quantos ficaram por lá, na tentativa de cumprir seu dever. Aposto que muitos nem ligavam para a pátria ou para o ideal de liberdade, mas tinham sobre si a responsabilidade de manter vivo o companheiro de trincheira; o irmão que combatia ao seu lado. Se não fazemos pela causa, fazemos pelo irmão que acredita nela. Na nossa guerra diária, nas ruas, no trânsito, no trabalho, em casa; temos que cumprir o dever, por aqueles que estão ao nosso lado, acreditando em nós. Não podemos fingir que "não é comigo" e deixar simplesmente "o barco correr". Temos que pensar na coletividade, no bem maior para todos. Vivemos em sociedade justamente por isso, porque não poderíamos viver sozinhos e fazer tudo sozinhos. Não somos auto-suficientes e nem tão pequenos que não possamos fazer a diferença. Faça sua parte, sem pensar só em si mesmo e no que vai receber em troca. Um pouco de doação vai lhe trazer um sentimento incrível, que só você mesmo pode provocar, pois ele vem de dentro para fora, do verdadeiro coração de soldado.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Cenas de Curitiba: aconteceu na Praça Osório

Dois meninos, aparentando terem entre 7 e 10 anos, me abordam durante a fiscalização:
_ Moço, meu pai quer falar com você! Diz o mais velho, com o celular na mão.
_ Alô?
_ Boa tarde, você é um oficial?
_ Sou um Agente de trânsito, senhor. No que posso ajudar?
_ Meu filhos foram fazer um lanche e se perderam da mãe. Estou em Ponta Grossa. O senhor poderia encaminhá-los a um posto da polícia, até que eu entre em contato com ela, para dizer onde os meninos se encontram?
_ Claro! Vou levá-los ao módulo que fica na praça Osório, próximo da R. Voluntários da Pátria. Lá estarão seguros até a chegada da mãe.
_ Ótimo! Passarei a ela o endereço. Obrigado!
Enquanto conduzia os meninos até o local combinado, puxei conversa, perguntei os seus nomes, onde moram...me pareceram ótimos meninos, mas tinham cara de quem aprontou e não deu muito certo. Deixei-os sob os cuidados do soldado que estava de plantão e enquanto retomava a fiscalização, lembrei do que eu e minha esposa ensinamos às nossas filhas: "se vocês se perderem de nós, não peçam ajuda pra qualquer pessoa, procurem um guarda, policial ou outra pessoa de uniforme". Ainda bem que esses meninos fizeram a coisa certa.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Fórum da Bicicleta

Estava devendo um post sobre o 2º Fórum Curitiba de Trânsito,realizado na última quinta-feira (12) do qual participei e teve como tema a bicicleta, e como disse antes, saí parcialmente satisfeito. Não pelo evento em si, que foi ótimo, mas por ver que ideias e soluções existem, assim como gente interessada e engajada na causa, porém aqui em Curitiba e muitas outras cidades, a coisa vai a passos de tartaruga, ou simplesmente não vai. A presença do secretário de urbanismo de Balneário Camboriú, Auri Pavoni, nos deixou "com água-na-boca", após apresentar tudo que está acontecendo por lá, e nos fez refletir sobre o porque que não acontece aqui. Promover uma revolução cultural e operacional no trânsito não depende só de campanhas educativas e meia dúzia de medidas paliativas, que resolvem um probleminha aqui, outro ali. Oque precisamos é uma mudança radical, visando alterar a "ordem natural" do trânsito, tirando a prioridade de circulação dos carros e devolvendo-a aos pedestres e ciclistas. Mas, como se faz isso? Não existe mágica, tem que diminuir o espaço dedicado aos veículos automotores, retirar vagas de estacionamento, estreitar ruas, restringir a circulação e diminuir a velocidade média. Precisamos de mais espaço para as ciclovias e não podemos obtê-lo através da diminuição das calçadas, pois o espaço do pedestre é sagrado, e somos todos pedestres, em algum momento vestidos de carro ou montados em bicicletas. Nossa cultura criou um mito que para se respeitar o direito constitucional de ir e vir, devemos ter a chance de estacionar nossos carro em frente ao local onde queremos chegar, para andar o mínimo possível a pé, mas isso é cada vez menos possível e temos que rever nossos hábitos. Quando a R. XV de Novembro foi fechada a circulação de veículos, imagino o estardalhaço que alguns fizeram; o mesmo que acontece hoje quando se fala em retirar vagas de estacionamento e se criar o pedágio urbano. Durante o fórum, fiquei sabendo de excelentes projetos, como a criação de uma zona central com velocidade limitada a 30 km/h; a retirada das vagas ao longo das canaletas, para receberem ciclofaixa no seu lugar; a criação de vagas abertas a não-moradores no primeiro pavimento dos prédios novos. Em Bal. Camboriú, a primeira vaga de cada quadra será destinada ao estacionamento de bicicletas e todo prédio na orla marítima tem que reservar espaço para bares e restaurantes;  o estreitamento de avenidas e a implantação de travessias elevadas faz com que haja uma diminuição da velocidade média no perímetro urbano. Em Curitiba também existem sinais de mudanças, como a retirada dos Ligeirinhos das lentas das canaletas, para que circulem dentro das canaletas ou pelas rápidas; isso por si só já aumenta a segurança dos usuários da ciclofaixa da Mal. Floriano, que lamentavelmente foi feita com uma largura fora do ideal. Os paraciclos finalmente saíram do papel e vão começar a operar, oferecendo aluguel de bicicletas e infraestrutura para os usuários. Durante o evento tive a oportunidade de conhecer um fabricante de bicicletas elétricas, que me pareceu uma ótima alternativa para quem quer utilizar a bike como meio de transporte sem perder o conforto, pois ela dá uma "mãozinha" nas subidas e não suamos tanto, resolvendo o problema da topografia de Curitiba, pouco favorável a bicicleta. Infelizmente o preço ainda é proibitivo, pois o governo não oferece incentivos fiscais para a sua comercialização, e o CTB cria empecilhos para sua utilização, exigindo coisas absurdas como capacete motociclístico e carteira de habilitação. Além de projetos, precisamos que as leis sejam revistas, para se adaptar aos novos tempos, que exigem meios de transporte mais racionais. Para finalizar, gostaria de dizer que estava errado quando disse que não havia político no Brasil capaz de promover tal revolução, pois o prefeito de Bal. Camboriú, Edson Renato Dias, o "Piriquito", provou que quando se tem coragem e determinação, pode-se fazer coisas fantásticas, como as que estão ocorrendo por lá. Fica o exemplo de quem não tem medo e não se importa com a opinião pública, mas somente com o bem-estar dos cidadãos. Certamente seu nome ficará para sempre no hall dos administradores públicos, associado a arrojo e vanguarda.

domingo, 15 de abril de 2012

Questão de escolha

"Deus não impõem a nenhuma alma uma carga superior às suas
 forças. Beneficiar-se-à com o bem quem o tiver feito e sofrerá
 mal quem o tiver cometido."

Era para ser um post sobre a bicicleta e o Fórum Curitiba de Trânsito, que ocorreu na última quinta-feira (12), do qual eu participei e saí parcialmente satisfeito ( explicarei o porquê futuramente), mas uma visita a uma mesquita me fez mudar um pouco o foco do assunto. O que será que bicicleta teria haver com religião? Acho que muita coisa, pois religião e meio de transporte podem ser escolhidos ou impostos. Você pode nascer católico e pobre, ter que seguir a religião que seus pais seguem e ter que andar de ônibus por pura falta de opção. Mas, um dia você se torna senhor de sua vontade, trabalha e ganha seu próprio dinheiro, pode escolher oque fazer de sua vida. Aí você opta por ter um carro, moto ou bicicleta. Você pode escolher se continua frequentando a igreja que seus pais o levavam quando criança, ou muda para outra religião que atenda melhor os seus anseios. Independente de sua escolha, você está seguindo oque seu coração manda, quer que outras pessoas respeitem isso e o deixem seguir sua vida em paz, mas não é isso que acontece e a única palavra que define isso é INTOLERÂNCIA. Nós nos achamos no direito de interferir nas escolhas alheias, de criticar oque os outros decidem para si mesmos, mas não gostamos quando isso acontece conosco. Tentamos freqüentemente impor nosso ponto de vista, dizemos que somos melhores por seguir determinada religião, ou porque temos um carro do ano. Será que realmente estamos certos que a religião escolhida é a mais correta? Será que somos mais ricos porque conseguimos comprar um carro 0Km? Já parou para se perguntar se quem anda de bicicleta faz isso porque não pode ter um carro, ou por pura e simples opção? Quando estamos atrás de um volante, achamos que somos os reis do trânsito, que a rua é nossa e que pedestres e ciclistas são invasores do espaço que é, por direito, dos carros. No fórum aprendi que somos todos pedestres "vestidos" de carro. 
Voltando a questão da religião, se não aceitamos a escolha do nosso próximo, como podemos exigir que aceitem a nossa? Como podemos querer guiar o outro se nem sabemos se estamos no caminho correto. Aliás, me atrevo a dizer que a partir do momento que não aceitamos as diferenças religiosas, culturais, raciais e outra qualquer, já estamos no caminho errado. Intolerância é um dos motivos de tantas mortes no mundo, seja por guerras étnico-religiosas; seja por conflitos sociais no trânsito. E não são mortes objetivas,  em busca de poder ou riqueza, mas por intolerância e imposição de crenças. Hoje, dentro daquela mesquita, senti uma paz enorme, pois aquelas pessoas que sabemos tão pouco sobre seus costumes e crenças, nos receberam de braços abertos e com extrema cordialidade. Respeitar seus costumes era o mínimo que poderia fazer para retribuir. Sei que existem extremistas fanáticos, capazes de matar para impor sua religião, e não é exclusividade de uma religião, pois tanto no ocidente como no oriente ocorreram diversos massacres em nome da fé. E os massacres continuam acontecendo, todos os dias, no mundo inteiro. Matamos não só a carne, mas o espírito, ignorando nosso irmão, porque ele anda de bicicleta, a pé ou de ônibus; porque torce para outro time; porque é de cor diferente; porque veste farda; porque é de fora. Ignoramos a essência humana, que nos faz todos iguais, por causa de diferenças muitas vezes externas. Rotulamo-nos e achamos que isso nos faz diferentes perante Deus e os homens, mas esquecemos que oque nos faz diferentes é aquilo que está em nossos corações e mentes, e é isso que determina se somos bons ou ruins; se merecemos o respeito dos nossos irmãos e o perdão do nosso Deus.